sexta-feira, 22 de março de 2013

PRESS RELEASE



CONCERTO “TÓ TEIXEIRA – VIDA E OBRA”
SALOMÃO HABIB – VIOLÃO SOLO


Após a conclusão de um inovador trabalho experimental sobre Música Indígena para Violão Solo, financiado inicialmente pelo Instituto de Artes do Pará – IAP e finalizado com o auxílio de bolsa de incentivo, relativa à Premiação 2010 da Fundação Nacional de Cultura – FUNARTE, que resultou no Projeto UIARÊMANHÊ – Doze Rituais Sinfônicos para Orquestra de Violões baseado na Música de Povos Indígenas, o músico SALOMÃO HABIB, consagrado violonista paraense, passou a dedicar boa parte de seu tempo à pesquisa sobre a obra de um dos mais importantes músicos paraenses do início do século XX: o também violonista TÓ TEIXEIRA.
Contando com o patrocínio e apoio determinantes do SESC Regional Pará e do SESC Nacional, esse festejado instrumentista pode por em prática outro relevante Projeto de sua autoria: o Projeto TÓ TEIXEIRA – VIDA E OBRA, através do qual ele se debruçou na compilação, classificação e editoração de uma vasta obra, ainda inédita e em vias de se perder no ostracismo, em função do abandono e mau-acondicionamento de um rico acervo material.
Com o intuito de revitalizar, preservar e ainda, divulgar a obra desse genial violonista, SALOMÃO HABIB recolheu ao longo de quase duas décadas de vida, numa silenciosa e rebuscada pesquisa, inúmeras partituras, fotografias, livros, recortes e reportagens de jornais publicadas desde o início do século passado, a fim de recompor de maneira cronológica e didática a vida e a obra desse “POETA DO VIOLÃO”.
E como resultado desse árduo esforço, ele finalmente vem a público para lançar com todas as honras de que TÓ TEIXEIRA é merecedor, a coletânea resultante de tal Projeto, composta de:

ü  UM LIVRO DE PARTITURAS selecionadas e comentadas,
ü  UM LIVRO SOBRE A HISTÓRIA DO VIOLÃO NO PARÁ, onde apresenta um breve panorama cultural e violonístico da Belém da Belle Époque,
ü  TRÊS CD COM PEÇAS INÉDITAS PARA VIOLÃO-SOLO e ainda,
ü  UM DVD-DOCUMENTÁRIO com preciosas informações para alunos e amantes da cultura e da boa música.

SERVIÇO
O Concerto de Lançamento dessas raridades musicais, será realizado no dia 20 DE MARÇO do corrente ano, no THEATRO DA PAZ, às 20:00 H.



REPERTÓRIO
ü  BAMBIÁ QUE DINDINHA DANÇAVA – 1900
ü  CARIMBÓ (SOLO) – 1908
ü  DANÇA ALEGRE (COM - GRUPO PAU E CORDA) - 1920
ü  OLHA O PATO COMENTO ALPISTA (SOLO) – Sem data de composição
ü  NÃO DURMA DE TOUCA (COM GRUPO - PAU E CORDA) – Sem data de composição
ü  MAIS UMA LEMBRANÇA (SOLO) – 1938
ü  MÁGOAS DE CRIOULO (SOLO) – Sem data de composição
ü  ÁRIA (SOLO) – 1963
ü  SINTO-ME BEM ASSIM (SOLO) – Sem data de composição
ü  BRASIL O CANECO É TEU ! (COM - GRUPO PAU E CORDA) – 1970
ü  VAMOS TOMAR CAFÉ (SOLO) – 1971
ü  BOLO DE MILHO (SOLO) – 1976
ü  PINHO CHOROSO (SOLO) – Sem data de composição
ü  VOVÓ, LÁ VEM O TIO TÓ ! (SOLO) - 1976
ü  CHULA SAPECA (SOLO) – 1978
ü  CHUVISCO (COM GRUPO - PAU E CORDA) – Sem data de composição
ü  LA VOTA (SOLO) – 1978
ü  TEM CASTANHA NO OURIÇO (SOLO) - 1978
ü  DEPOIS DA CHUVA (SOLO) – 1978
ü  PADEIRO DE BICICLETA (SOLO) – 1980
ü  PRA QUEM GOSTA (SOLO) – Sem data de composição
ü  OLHA O PATO COMENDO ALPISTA (SOLO) – Sem data de composição

DA ELABORAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E OBJETIVOS DO PROJETO “TÓ TEIXEIRA – VIDA E OBRA”

Tendo representado com êxito a cultura musical do Estado do Pará, ao longo de mais de 25 anos de carreira, por intermédio de inúmeros recitais, concertos e espetáculos apresentados tanto no Brasil como no Exterior, o instrumentista SALOMÃO HABIB, incansável divulgador da arte e da cultura musical paraense, teve oportunidade de “avaliar de perto” o panorama de iniciativas desenvolvidas em favor da revitalização e da preservação da obra de grandes artistas pelo mundo afora.
Em virtude de perceber também, a grande receptividade que a música originariamente paraense possui em todos os cantos e recantos do país, o músico resolveu por em prática um antigo projeto que objetivava revitalizar, por meio de intensa pesquisa histórica, a obra musical de outro grandioso talento musical paraense, que até pouco tempo encontrava-se relegada ao ostracismo.
Falamos aqui, especificamente, da magnífica obra deixada pelo músico Antonio Teixeira do Nascimento Filho, popularmente conhecido como TÓ TEIXEIRA.
TÓ TEIXEIRA, filho de um ferreiro de profissão e exímio flautista por vocação, foi mais um dos descendentes dos escravos que serviam as ricas famílias portuguesas moradoras das Rocinhas de Nazaré.
Tendo nascido e se criado no antigo bairro de negros chamado Umarizal, um ambiente propício à música e aos festejos populares, logo despontou para a arte musical, tornando-se um dos mais festejados violonistas de sua época e conceituado professor de música de famílias de Belém da Belle Époque, deixando rica e variada obra musical à posteridade, composta não somente de estudos violonísticos, mas de uma grande variedade de gêneros.
Autor de inúmeras valsas, sambas, sonatas, choros, polcas, ladainhas, canções e uma série de outros diferentes gêneros, o compositor TÓ TEIXEIRA tinha uma particularidade em sua obra: a forma de nomear suas músicas. Peças como “CARVOEIRO DO SAPATO BRANCO”; “CARANGUEJO REFOGADO COM AZEITE DOCE”; “VAMOS TOMAR CAFÉ”; “SINTO-ME BEM ASSIM”; “PADEIRO SEM CAMISA”; “OLHA O PATO COMENDO ALPISTA” ilustram a originalidade e a simplicidade deste genial mestre que retratou como ninguém o cotidiano dos negros trabalhadores na Belém da Belle Époque.
Não seria exagero afirmar, que foi a partir do trabalho desenvolvido por TÓ TEIXEIRA que o violão no Pará iniciou sua conceituada trajetória, pois há de se considerar que mesmo possuindo um caráter meramente popular, sua obra e, fundamentalmente, sua dedicação ao ensino da técnica violonística, transformaram a imagem desse instrumento, provocando grandes modificações no que se refere à aceitação da ideia de que o violão poderia transitar fluentemente pelo campo erudito, o que contribuiu vigorosamente para o fortalecimento e a ascensão do violão às grandes salas de concerto neste Estado.
Portanto, na esteira musical iniciada por TÓ TEIXEIRA, revelou-se no Pará, uma linhagem tradicional de grandes compositores e músicos de violão, dentre os quais podemos ressaltar nomes como de ALUÍSIO SANTOS, BEM-BEM, PEDRO MATA-FOME, ATAULFO MIRÓN, CARLOS RODRIGUES, SALATHIEL MOREIRA, VAÍCO, MESTRE CATIÁ, GARARD (violão de sete cordas); GINO (violão de sete cordas), NEGO NELSON, EVERALDO PINHEIRO, ALDEMIR, PAULO MOURA, SEBASTIÃO TAPAJÓS e o próprio SALOMÃO HABIB.
Hoje, sabemos que todos esses talentosos músicos foram brindados pelo pioneirismo desse grande mestre, tendo sido beneficiados com o caminho trilhado por ele no início do Século XX.
Como temos visto, atualmente, vivencia-se, em âmbito nacional, um momento de grande interesse pelo Estado do Pará, com claras evidências de aceleração nos negócios em torno da cultura regional, principalmente, no que diz respeito à valorização do turismo, da gastronomia e de nosso patrimônio histórico como um todo, seja ele material ou imaterial.
Contudo, a busca incessante por novas formas de empreendimento, com uma linguagem mais acessível comercialmente, tornam as iniciativas de revitalização e preservação de antigos legados, bastante difíceis e até mesmo insuficientes.
Diante desse quadro de pouco incentivo, uma valorosa parte de nossa cultura musical, principalmente, a do início de século XX, encontra-se seriamente ameaçada de se esvair com o tempo.
Um exemplo desta triste realidade foi a constatação por parte de SALOMÃO HABIB, de que a rica obra deixada por MESTRE TÓ TEIXEIRA encontrava-se totalmente desconhecida pela nova geração de músicos paraenses e o pior, em vias de grave deterioração, correndo o risco de se perder por completo.
Todavia, pouco mais de duas décadas após seu falecimento, as ínfimas iniciativas de preservação e divulgação desta inestimável obra tomaram um rumo diferente, diante do interesse e empenho de SALOMÃO HABIB em recolher, completar e catalogar um quantitativo em torno de 600 peças, num árduo e silencioso trabalho de pesquisa que durou mais de duas décadas.
Com a finalidade de dar seguimento a um projeto de levar tal legado musical ao conhecimento público, tornou-se imprescindível a captação de recursos materiais e financeiros para a editoração, gravação e divulgação da obra, a fim de que nem o Estado e nem o povo dessa Região, lamentasse posteriormente a perda dessa importante parcela de nossa cultura.
Sabemos que uma nação, se eleva em função da preservação objetiva e aprofundada de sua história, sobrevivendo dignamente de suas tradições e dos grandes nomes de seus filhos, o que torna de suma importância o incentivo e apoio recebido de algumas entidades profissionais, instituições de classe e empresas pertencentes ao ramo privado, que buscam afiançar este tipo de projeto cultural, o que viabiliza não somente o conhecimento de nossas raízes, mas uma vasta percepção antropológica e sociológica de como chegamos até aqui.
Isso é Ação Cultural, na sua mais perfeita acepção !
A inigualável obra dos muitos talentos surgidos no Pará, ainda tão pouco conhecida no cenário de artes nacional, precisa imediatamente de ações dessa natureza, a fim de ser revitalizada e divulgada, tal como merece, não podendo ficar restrita apenas a pequenos círculos intelectuais.
O grande benefício que uma instituição ou empresa realmente comprometida com o desenvolvimento social de sua região, pode proporcionar neste sentido, é realizar este tipo de pesquisa histórica, com fins de disseminação e valorização de nossa arte, a fim de que o Estado do Pará possa ser visto e respeitado em toda a sua amplitude e riqueza cultural.
E foi assim que através do patrocínio do SESC Nacional e do SESC Regional do Pará, em função do apoio incondicional da pessoa de seu Presidente Regional, Sr. CARLOS MARX TONINNI que SALOMÃO HABIB finalmente pode por em prática seu projeto de revitalização musical, intitulado TÓ TEIXEIRA - VIDA E OBRA, que tinha por objetivo maior a publicar parte da obra desse talentoso artista, contando sua história, com vias a reconduzir MESTRE TÓ TEIXEIRA ao posto que lhe é de direito, ou melhor, à condição de ícone em nosso seleto grupo de artistas regionais.


Por Silvia Lovaglio
Produtora Executiva
Violões da Amazônia

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