segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Salomão Habib - Suite Bacchus


SUITE BACCHUS
Estreia

SALOMÃO HABIB
VIOLÃO SOLO


PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS
Delcley Machado, Dione Colares e
João de Jesus Paes Loureiro.


 Theatro da Paz,
19 de setembro de 2012 – 20:00 h


SUITE BACCHUS




Seguindo a tradição de grandes concertistas, mais uma vez, no palco do Theatro da Paz, o celebrado violonista paraense SALOMÃO HABIB apresentará mais um de seus elaborados trabalhos de composição: a SUITE BACCHUS, num concerto de mesmo nome, que ocorrerá no próximo dia 19 de SETEMBRO, às 20:00 h.
Conforme explica o músico, na Era Medieval, o termo SUÍTE era empregado para designar uma forma de composição musical de caráter essencialmente instrumental, dividida em vários andamentos, que, mesmo sendo distintos entre si, eram escritos numa mesma tonalidade.
No século XVI a “Suíte” se popularizou e passou a ser composta sob a forma de dança. Primeiro, numa dança lenta em compasso binário para depois ser seguida de outra rápida, em compasso ternário.
Mais tarde, já no século XVII, as Suítes começaram a ser compostas para alaúde, instrumento ancestral do violão, assim como também para o cravo, que antecedeu o piano. Nesse período, tornaram-se famosas as “Suítes Barrocas” que possuíam características peculiares, em virtude de serem formadas por três danças específicas: A Alemande, a Corrente e a Sarabanda.
Após isso, as “Suítes Orquestrais”, originalmente utilizadas na Ópera, foram aos poucos, ganhando formas multifacetadas, evoluindo para a forma tal qual como a conhecemos hoje, ou seja, desvinculada da dança e de um caráter temático específico, extinguindo-se, portanto, a obrigatoriedade formal quanto ao número de peças que a compõem e quanto às variações em de tonalidades.
A SUITE BACHUS é mais uma das composições de SALOMÃO HABIB que integram sua “Fase de Suítes”, como ele mesmo denomina. Tendo em vista que recentemente o músico compôs e estreou com grande sucesso de público, uma variedade delas, tais como a SUITE DAS AMAZONAS, premiada internacionalmente e interpretada no âmbito da programação do WorldWide Guitar Conection; a SUITE OLÍMPIA, composta por ocasião da celebração do centenário do famoso cinema paraense e a SUITE OUTUBRO, tida como uma grande inspiração do autor à respeito dos genuínos símbolos de nossa festa maior: O Círio de Nazaré..
BACHUS, conhecido na mitologia grega como o “Deus do Vinho”, foi a figura escolhida para dar nome à Suíte, em virtude de personificar o prazer da degustação e do entorpecimento causado por esta milenar bebida, que ganhará relevância por meio das impressões causadas com a interpretação desse sensível e virtuoso músico.
Cada andamento da SUITE BACCHUS foi inspirada em um tipo de uva especial que compõe o vinho em suas mais famosas castas. A peça completa-se com os seguintes movimentos:

I. CABERNET SAUVIGNON – O movimento que inicia a Suíte Bacchus se caracteriza por uma melodia suave, porém densa, tal como os taninos que colorem profundamente o vinho delas extraído. Perfumados com marcantes aromas de ameixa e baunilha, essa uva milenar, cultivada há mais de 6.000 A.C., originária da Península dos Balcãs, acabou por se extinguir na Europa em meados do Século XIX, tendo “renascido” no final do século seguinte, na América do Sul, através do cultivo cuidadoso dos imigrantes estrangeiros que povoaram a Região. No decorrer da execução musical, uma melodia introdutória conduzida por uma harmonia de progressões pentatônicas reverencia um grande mestre do impressionismo, o francês Claude Debussy, que libertando-se dos parâmetros formais de sua época, criou um estilo singular, cujas cadências pareciam não fazer sentido à princípio. Tal como o vinho, a música que relacionada com Debussy, possui um caráter fluido e leve que, no entanto, se perfaz em imagens multicoloridas e abstratas, oferecendo ao intérprete uma maravilhosa sensação de torpor e de prazer que esta “rainha das uvas” concede.

II. TOURIGA NACIONAL – O segundo movimento da Suíte Bacchus homenageia uma espécie de uva característica da região do Dão em Portugal. Conhecido como o antigo “Porto da Gália”, na época do domínio romano, do qual este povo herdou a tradição de produzir excelentes vinhos, a região é famosa por produzir grandes “vinhos de corte”, ou melhor, vinhos provenientes da combinação de duas ou mais uvas diferenciadas. Dentre as muitas espécies existentes nessa região, a Touriga Nacional é uma das uvas que mais se sobressaem. Por sua coloração negro-azulada, tal como a vastidão e os mistérios d’além mar e com seu sabor marcante, que se assemelha às madeiras mais nobres, com as quais foram construídas as grandes embarcações que fizeram a força econômica daquele país, séculos atrás, a Touriga Nacional, inspirou no compositor a força de um gênero musical bastante conhecido: o Fado. Logo, a uva escolhida, assim como o fado, se entrelaçam entre sons, cores, aromas e sabores genuínos, que traduzem os sentimentos mais autênticos do povo português, a saudade típica de seus primeiros desbravadores, dos navegantes de mares desconhecidos. Na tonalidade de lá menor, este belo Fado busca construir a atmosfera de súplica e de paixão daqueles que sofrem pela distância e que encontram no vinho, o apaziguamento para sua grande saudade.

III. BARBERA - Berço das artes e da grande contemplação do belo, a uva Barbera, tal qual seu país de origem, a Itália inspira o terceiro movimento da Suíte Bacchus. O movimento elaborado num estilo de tarantela, dança tipicamente italiana, apresenta escalas que representam os movimentos das pernas dos dançarinos, como notas repetidas que marcam o ritmo frenético em compasso binário. A música toma mais pulso e acelera quando da repetição de um subtema inspirado na coloração intensa e no sabor marcante desta uva proveniente da região do norte da Itália. Inspirada na alegria dos vinhos italianos, comemorativos por natureza, a música reconstrói tal como ocorre na dança, a embriaguez provocada pelos constantes rodopios impulsionados pelo ritmo alternado e marcante deste movimento.

IV. TEMPRANILLO – Essa casta européia da Região de Rioja na Espanha traduz toda a força e vitalidade da música andaluz. Sem a pretensão de manifestar temáticas puramente flamencas, o quarto e último movimento da Suíte Bacchus absorve a atmosfera dos castelos espanhóis e de seus ricos e extensos jardins transformando seus aromas e sabores em sons e formas rítmicas que perfazem uma elegante e requintada viagem pelo vinho espanhol e sua musicalidade inerente. Tempranillo, uma uva de alma fina e ao mesmo tempo complexa, empresta seu inesquecível bouquet à essa pauta, respingada de notas musicais, lágrimas e sangue.

O Concerto SUITE BACCHUS contará também com a execução de pérolas do repertório violonistico nacional e internacional, com novos arranjos e versões para “Modinha” de Tom Jobim e “Beatriz” de Edu Lobo e Chico Buarque, incluindo-se neste rol também, duas peças solo de Nicollo Paganini, expoente máximo da destreza técnica instrumental e “Asturias” de Isaac Albeniz.
Como um presente para seus fãs, Salomão Habib ainda contará com a participação especial do poeta e parceiro de composições JOÃO DE JESUS PAES LOUREIRO, da bela soprano DIONE COLARES e do conceituado guitarrista DELCLEY MACHADO.
A grandiosa obra de Salomão Habib, portanto, mais uma vez será apresentada em seu caráter puro e emotivo no palco do nosso maravilhoso Theatro da Paz, dando vazão, segundo ele, aos maiores prazeres da vida: a música, a poesia, o vinho, os amigos e às grandes lembranças.
SALUTE !

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